sexta-feira, 2 de abril de 2010

"Cinema" mudo

  Produzido por Rafael Ramos (juro que não sou eu), “Cinema” é o nome do 9° álbum da banda Gaúcha, Cachorro Grande. O disco que foi gravado em Porto Alegre com aparelhagem toda analógica, revela a banda num momento mais psicodélico, porém não traz evolução às primárias rimas das letras do quinteto.
    Seguidores do clássico Rock n’ Roll dos anos 60 e 70, a banda tenta traduzir, desde 2001, a cultura Beatlemaníaca para os dias atuais. Mas sem sequer ousar em atrair com temas mais inovadores. E o que deveria ser moderno, torna-se um clichê, desde as intenções de figurinos até as letras cantadas, na grande maioria, em terceira pessoa.
    Desta vez é notável a grande evolução sonora investida no álbum, que contém novos sons e novas ambiências, além do uso de instrumentos atípicos ao ritmo como o bandolim e a cítara. Mesmo assim a banda só alcança a popularidade desejada no Sul, onde a aceitação ao estilo é maior que na escala Rio-São Paulo, por exemplo.
    Conforme escrito no site da banda, o nome que dá título ao cd surgiu após o guitarrista Marcelo Gross assemelhar os sons do cd com o da sonoplastia de um filme. Quanto a isso não há o que questionar, afinal, o disco “Cinema” desperta sensação semelhante a de assistir a um filme desconstruído de narrativa e sentido. Ou melhor dizendo. Nos traz a lembrança do cinema mudo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Por que não agora pra nós?

    No dia 22 de março, policiais da Bope subiram o Morro da providência com a missão de instaurar a sétima Unidade de Polícia Pacificadora do Estado do Rio. Não há dúvidas de que a notícia surpreendeu a todos os moradores da região, que animados com a novidade, apostam em dias de paz. Já na semana seguinte, foi divulgado um projeto proposto por dois professores americanos que consiste na instalação de um teleférico que ligará o Morro da providência a algumas áreas próximas, como a Central do Brasil e a Praça Mauá. Além do remanejamento de barracos construídos em locais considerados de risco.
    Com a notável parceria entre o Governo Federal, Governo do Estado e Prefeitura, finalmente está sendo reconhecida a importância da região da Zona Portuária do Rio, que esbanja seu valor histórico e cultural para a cidade. Tudo começou com a revitalização do Cais do Porto e a restauração de galpões e edifícios abandonados para o programa “Minha casa, minha vida”. Agora, está sendo tratada a questão da violência da região com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora no Morro da Providência e adjacências.
    Levando em consideração que a Zona Portuária é uma das principais salas de recepção do turismo carioca, recebendo os turistas de navios que atracam diariamente no Pier Mauá, fica a dúvida se todo esse processo de reconstrução regional está sendo preparado aos moradores da cidade maravilhosa, ou aos lucrativos turistas que serão muito bem-vindos em 2014 e 2016. Será que avistaremos nossos vizinhos passeando de teleférico por um preço acessível, ou apenas gringos de fisionomias finas, endinheirados? Essa é uma questão pra lá de fácil, mas por que não apostar no surpreendente, desta vez?

domingo, 14 de março de 2010

Ainda será normal?

    Nos anos de 2014 e 2016 o Brasil será o foco mundial, recebendo, respectivamente, a Copa do Mundo e as Olimpíadas Mundiais, quando naturalmente, virão para assistir aos eventos, pessoas de todas as partes do mundo. Mas será que até lá a necessidade de termos uma consciência social será um assunto resolvido?    Será ainda tão normal esperar uma condução por tanto tempo e, quando ela finalmente passar, ela literalmente... passe, sem seque prestar a “solidariedade” de parar no ponto? Acho que não precisamos pensar muito para esta resposta.
    É claro que em nenhum lugar no mundo haja um país completamente resolvido quanto a todas as necessidades sociais, mas talvez estejamos no ranking da desordem. Imagine se justamente no dia da final da Copa do Mundo, no Maracanã, São Pedro resolva fazer chover o que estaria previsto para o mês inteiro, somando o fato ao desrespeito da população de jogar seu lixo em qualquer pedaço de chão? Não há dúvidas de que a atração passará a ser o Rio Maracanã transbordando, e não mais o jogo em questão. Será ainda tão normal furarmos as filas de bancos, urinarmos nas ruas em plena luz do dia, ignorarmos as placas de trânsito e até mesmo não cedermos o lugar num assento para uma gestante ou idoso?
    Já contamos com tantos assuntos a serem discutidos, como por exemplo, o transporte e a segurança pública, que a solidariedade deveria ser um estilo de viver, e não uma maquiagem mal feita, quando tentamos nos defender da péssima repercussão mundial. Olhando o calendário, percebemos que ainda há muito tempo para alterarmos este cenário social, embora, talvez para isso precisemos não de quatro anos, mas sim de quarenta.